Outras alternativas
Abril 19, 2007
Também posso ser uma moça supersexy com a minha própria capa de chuva transparente:

Para tal, seria mais magra, mais loira, usaria meu tubinho preto com uma sandalinha alta combinando e teria meu próprio pet:
Além de meu próprio meio de transporte:
Tudo isso, conquistado graças ao meu próprio negócio:
Nhé.
Abril 19, 2007
Tô achando que – contrariando toda uma filosofia de vida – vou comprar uma sombrinha. Começa a chover nessa cidade e começa a chover pra valer. E eu ando a pé. E eu ando de ônibus. E eu não gosto de ficar embaixo das marquises esperando estiar, porque peloamor. Um trauma de anos, vai ter que ser resolvido assim, na porrada, que é o jeito vezenquando. E mais e mais e mais saudade daquele apartamento que ficava logo ali. Logo ali, ó.
Ele me pergunta se eu tô bem, e eu vou dizer o quê, né? Porque, afinal, é uma complicação dessas reais e concretas do lado de lá e eu caraminholando aqui de dentro da bolha. Alguém entende? Alguém?
Vou ali trabalhar, que tenho que fazer textos rimadinhos nesse exato momento. É tudo que eu queria nessa vida. Ô se é.
Hm.
Abril 19, 2007
Aí, a pessoa rói as unhas todas pensando naquela menina tão pequenininha, fazendo uma cirurgia tão grande. Ô… Criança devia ter que passar por isso não. Eu acho.
Porque é assim e é sem jeito.
Abril 18, 2007
Eu queria sair cedo e desisti de esperar minha carona. Aí, fui pegar ônibus – que agora sou moça que pega ônibus – e, no exato momento em que cheguei na parada, vruuuuuuuum, foi simbora. Eu fiquei e chorei. É, chorei. De uma tristeza tão profunda que não cabia no motivo em questão. Porque nem era o motivo de verdade verdadeira. Porque o que parece nunca é. Tá, contigo, eu não sei. Mas, comigo é assim. Não, não vamos falar sobre isso que são anos de análise e sou pessoa sem dinheiro, fé e paciência para tal. Enfim… Chorei disfarçada porque se alguém visse e viesse me perguntar alguma coisa, era capaz d´eu abraçar a pessoa pra sempre, aos prantos. Não ia ser bom. Não ia. Posso visualizar e temer. Uma dor bem grande aqui dentro. E era saudade. Saudade de voltar pra casa a pé, de cumprimentar os moços porteiros, de ficar feliz quando tinha correspondência (desconsiderar contas a pagar), de apertar o 6 no elevador, de olhar pro apartamento do vizinho torcendo pra senhorinha que mora lá ter melhorado, de me assustar com os gatos no corredor, de acender todas as luzes, de ligar a televisão e o computador ao mesmo tempo, de ficar à toa, dos meus livros, das minhas músicas, das janelas grandes, dos espaços claros e ventilados. Saudade de cada coisinha, sacomé? Mesmo das bem pequenas, mesmo das que já tinha esquecido. Uma angústia sem fim. Vontade de que antes fosse agora e consciência da impossibilidade disso acontecer. Juro que tentei me distrair com coisas práticas e amenidades, mas nem. Foi preciso uma noite inteira de sono e mesmo assim…
É que.
Abril 11, 2007
Hoje, eu tô com tanta tanta tanta saudade. Vontade de estar lá, sabe? Seja lá onde for, desde que seja com ele. Porque é tão bom e por mais que eu fale e escreva e tente definir de um jeito que se possa compreender, não dá. Porque é mais e vai além. Nem cabe em mim e isso é uma alegria medonha. Uma sorte na vida. Dessas que a gente não espera, nem imagina, acontece e pronto.
Eu ia contar do feriado. Eu ia.
Pré-feriado.
Abril 10, 2007
E se eu soubesse que ia ter o tradicional almoço de Páscoa aqui na agência, teria viajado mais cedo. Mas, esqueci. Assim, completamente. E esse está sendo um problema recorrente nos últimos dias. Não levei as minhas insulinas pra lá. Dá pra acreditar? A pessoa vai passar três dias fora e deixa de levar os remedinhos. E aí, tem que passar a manhã da sexta – sim, porque só me dei conta no dia seguinte – rodando até encontrar, com a glicose laaaaaaaaaá em cima. E emburrada, porque é todo um dinheiro indo embora, sem falar do tempo e da paciência.
Mas, aí teve o almoço, né? E peixe. Muito peixe. E eu até gosto, mas é que.
Vocês já perceberam que a hora de ir embora parece que demora ainda mais quando é antecipada? E eu contando os minutos. E não estava só nesta lida, não era nem minoria.
Comprei ovo de chocolate, que agora sou moça dedicada e romântica. Depois, fui resolver o problema do celular pra me tornar, de-fi-ni-ti-va-men-te uma mulher adulta e responsável (e isso inclui não ter que ouvir ninguém me dizendo o que devo/não devo fazer. Em caso de dúvida, sou a primeira a perguntar e pedir conselho, lo juro). Mas, nada feito porque existem milhares de regras e uma burocracia fenomenal. E, nesse meio tempo, o ovo de Páscoa Alpino em papel doirado e vermelho, derreteu no carro. Que alegria! O jeito foi passar ali do lado da casa dela e comprar chocolates dos bonitos e torcer pra ele gostar. Gostou. Eu também.
Aí, foi esperar até 11:20. E esperar não é pra mim. Fui feita pr´essas coisas não. Não mermo, ó. Vai logo me dando uma angústia e daí é um passo pros pensamentos começam a se transformar em uns monstros muito, muito feios e malvados… Sim, tenham medo. Porque eu tenho. Pânico, quase. Mas, vai passar, vai passar, vai passar (E quase não passou. Quase)…
Eu devo falar outra língua.
Abril 5, 2007
Só pode ser. Porque é uma total incompreensão. Cansada, eu.
E ainda sobre
Abril 4, 2007
Aí, teve um dia que ele pintou as minhas unhas de vermelho. Um vermelho vivo. Segurava a minha mão assim no ar e vrum, pinceladas de Deixa Beijar. Toda uma concentração pra não borrar e toda uma onda de ternura do lado de cá. Suava. Porque fazia calor e o esforço era grande. Pra finalizar: enrolava o algodão no palito, mergulhava o palito na acetona e tirava o esmalte, como quem usa um daqueles lápis-borracha. Minhas unhas nunca foram tão felizes.
Foi assim.
Abril 3, 2007
Todo um caos no sistema aéreo brasileiro e eu indo e vindo serelepe com a mochila de viagem. Nada de atraso, nada de fila, nada de aeroporto lotado. É preciso ter sorte em algum momento nessa vida, afinal.
Não teve o tal descanso prometido, mas isso é mais um agradecimento que uma reclamação, veja bem.
Passeio com parada em todas as livrarias e a pessoa tem que se controlar (muito) pra não comprar os 2 livros, que agora são 5. Isso porque tento ser politicamente correta quando ele tá perto, porque o pensamento recorrente é de que mereço esse mimo. Porque eu mereço mermo, ó. Assim, como mereço ganhar mais pra deixar de viver tão sem dinheiros.
Almoço no shops que ia ser supermercado, que lá se chama mercantil. É, as pessoas dizem: “vamo no mercantil comprar isso”, “vamo no mercantil comprar aquilo” e demorei pra descobrir que mercantil era, na verdade, o substantivo masculino utilizado para definir grande estabelecimento comercial em que o comprador retira as mercadorias das prateleiras ou estantes, efetuando o pagamento das despesas na saída. É sempre um aprendizado, sempre.
Aí, a gente assistiu 300 de Esparta e é bom pra carái. Sim, eu gosto de filmes de ação e fico com as mãos geladas e nem presto atenção na gritaria adolescente, nem no vizinho pedindo pra pararem de chutar a poltrona. Vontade de ver de novo e de novo até gastar a empolgação, porque é uma empolgação medonha… Desde o trailler, depois com o livro e segue firme e forte. Teve também Scoop, mas aí já é outra coisa com pipoca e gargalhada.
Vez ou outra, aquela agoniazinha aparecia. Assim, do nada. Um mal-estar indefinido e constante. Em parte, porque agora sou moça-de-família-de-volta-à-casa-da-mãe e achei que esses dias iam ser diferentes. Mas não foi, não é. Apesar das diferenças, toda uma semelhança. E uma vontade crescente de resolver a minha vida e voltar a ter um lugar assim só meu feitinho pra mim. Claro que vai ter a rede amarela e a melhor companhia. Quer dizer… É o que eu quero, mas nunca se sabe (nessa hora, ele reclama e me diz pra parar com isso e sinto alívio assim bem grande no coração).
Também podia considerar a TPM, o cansaço filho da puta de outra semana corrida e o fato de ter passado mais uma tarde lá em casa, junto a um verdadeiro arsenal de lembranças. Né fácil não, minha gente. Fico imaginando se ele pensa que é por causa dele… Porque nem é. Vem lá de dentro, de uma vida inteira e por mais que eu tentasse explicar, aqui ou lá, nem ia adiantar.
E continua…
Mas, agora não, que vou ali fazer mudança que é um processo sem fim. Putaqueopariu.
Eu podia contar da despedida.
Março 22, 2007
De como foi acordar cedo e ter ainda milhares de coisinhas pra resolver. Ir no salão cortar o cabelo, porque trabalho novo tem dessas coisas, com direito a sessão de fotos, pilhas que acabam e eu correndo pra comprar mais. Podia contar do meu pai agoniado lá em casa, da família toda reunida e do cuidado que eles têm comigo. De como gosto de Hector, de como é estranho Aeroporto em dia de dizer tchau. Podia contar do coração apertado, da espera em frente à sala de embarque, da quase falta de ar que isso dá. Mas, carái, é difícil demais e já foi, já passou. É dessas coisas que a gente guarda pra gente, sabe? Mas, a verdade é que doeu. Doeu que só.
Bom foi ouvir a voz dele feliz, contando que chegou e que tava re-conhecendo o Ridjanêro e pensar que vai dar tudo certo porque sempre dá tudo certo. Acho que é mesmo como ele diz: a vida é mágica.
