Tinha um fã-clube do Backstreet Boys.
Maio 5, 2007
Mais uma vez, ela se entrega por causas banais.
Diretamente da bolha.
Maio 5, 2007
Eu trabalho num local onde as pessoas desligam o ar-condicionado que vive no talo, só pra esquentar a sala e tomar sorvete. Me identifico. Deveras.
É que eu ando muito cansada.
Maio 4, 2007
No salão, fazendo as unhas com Juli. Senta senhorasimpática do lado e pergunta se pinto o cabelo porque quero. Hum rum. Ela explica que queria pintar também, mas o cabelo dela é tão ruim, tão ruim, tão tuim que vai esperar ficar todo branco porque aí não tem mais jeito mesmo… (comassim, não tem mais jeito mesmo?)
- Seu cabelo deve ser muito bom (figa, figa, figa)…
- Sei lá, eu pinto há dez anos e nunca estragou não…
Aí, do nada, Juli pergunta:
- Da mesma cor?
E por 3 segundos imagino porque ela acha que eu vou pintar cada mão de uma cor de esmalte diferente.
- …
- O cabelo. Tu pinta da mesma cor esse tempo todo?
- Ah, o cabelo. Pinto, pinto da mesma cor.
Temo por mim.
Passatempo da viagem.
Abril 21, 2007
GPS de alegria.
Abril 21, 2007
Eu não sei como é por aí, mas aqui a chefia tem um detector de alegria. Porque só pode. Basta a pessoa se distrair e descobrir alguma coisa bacana pra fazer que o telefone toca e acaba a brincadeira. E é uma tecnologia tão, mas tão avançada que pode ser utilizada mesmo a longa distância. Eu merma fico incrível…
Tenho um cabelo escovado e uma franja no lugar. A moça cabeleireira me mostrando toda a sua habilidade:
- Faço assim, ó! Pego o cabelo desse jeito e não queima…
E um calor do carái! Vocês não têm noção. Só que eu podia dizer alguma coisa em meio a toda aquela empolgação?
- Minha filha, queima sim, viu? Queima que é uma be-le-za. Acho melhor, você voltar pra escola de escovadoras de cabelo porque desse jeito não dá não.
Aí, fiquei lá, quietinha, ouvindo ela se vangloriar da própria técnica e pensando comé que pode, hein? Será que ela acredita, realmente, nisso? Né possível não. E num lampejo de sabedoria, conclui que ela sabe que queima siiiiiiim e fica nesse telelei, que é pras pessoas ficarem sem graça de reclamar, feito eu. Estratégia boua essa.
Fru fru.
Abril 20, 2007
Aí, você vê, eu queria um franjão faz é tempo. Ontem, tomei coragem (não muita, que não carece tanta coragem assim pra cortar cabelo) e fui lá naquele salão que eu gosto. Pronto. Agora, tenho um franjão fora do lugar, que meu cabelo não é comportado. E não sei como lidar com ele, pra que lado colocar, o tanto adequado de fios. Sascoisa. Uma adaptação. Uma vida nova, bem dizer. Tenho até um espelho aqui do meu lado esquerdo, que é só pra ficar olhando e vendo como é que tá a situação… Talvez vá fazer escova na hora do almoço e me torne uma pessoa dependente de aparelhos. Eu, logo eu. Marrapaiz, mesmo que tivesse ficado terrivelmente feio, ia ter valido a pena só pela massagem que a moça dá na cabeça enquanto tá lavando as madeixas. O que é essa técnica, minha gente? O que é aquela água morninha, todos aqueles cremes cheirosos e as mãos dela tchun tchun thun no cucuruto. Pensando em passar lá toda semana. E isso é muito sério. Será que custa muitos dinheiros? Tomara que não, porque pode ser um vício. E é bom que seja um vício baratinho, que ninguém aqui é rica, né?
Porque é assim e é sem jeito.
Abril 18, 2007
Eu queria sair cedo e desisti de esperar minha carona. Aí, fui pegar ônibus – que agora sou moça que pega ônibus – e, no exato momento em que cheguei na parada, vruuuuuuuum, foi simbora. Eu fiquei e chorei. É, chorei. De uma tristeza tão profunda que não cabia no motivo em questão. Porque nem era o motivo de verdade verdadeira. Porque o que parece nunca é. Tá, contigo, eu não sei. Mas, comigo é assim. Não, não vamos falar sobre isso que são anos de análise e sou pessoa sem dinheiro, fé e paciência para tal. Enfim… Chorei disfarçada porque se alguém visse e viesse me perguntar alguma coisa, era capaz d´eu abraçar a pessoa pra sempre, aos prantos. Não ia ser bom. Não ia. Posso visualizar e temer. Uma dor bem grande aqui dentro. E era saudade. Saudade de voltar pra casa a pé, de cumprimentar os moços porteiros, de ficar feliz quando tinha correspondência (desconsiderar contas a pagar), de apertar o 6 no elevador, de olhar pro apartamento do vizinho torcendo pra senhorinha que mora lá ter melhorado, de me assustar com os gatos no corredor, de acender todas as luzes, de ligar a televisão e o computador ao mesmo tempo, de ficar à toa, dos meus livros, das minhas músicas, das janelas grandes, dos espaços claros e ventilados. Saudade de cada coisinha, sacomé? Mesmo das bem pequenas, mesmo das que já tinha esquecido. Uma angústia sem fim. Vontade de que antes fosse agora e consciência da impossibilidade disso acontecer. Juro que tentei me distrair com coisas práticas e amenidades, mas nem. Foi preciso uma noite inteira de sono e mesmo assim…
Pré-feriado.
Abril 10, 2007
E se eu soubesse que ia ter o tradicional almoço de Páscoa aqui na agência, teria viajado mais cedo. Mas, esqueci. Assim, completamente. E esse está sendo um problema recorrente nos últimos dias. Não levei as minhas insulinas pra lá. Dá pra acreditar? A pessoa vai passar três dias fora e deixa de levar os remedinhos. E aí, tem que passar a manhã da sexta – sim, porque só me dei conta no dia seguinte – rodando até encontrar, com a glicose laaaaaaaaaá em cima. E emburrada, porque é todo um dinheiro indo embora, sem falar do tempo e da paciência.
Mas, aí teve o almoço, né? E peixe. Muito peixe. E eu até gosto, mas é que.
Vocês já perceberam que a hora de ir embora parece que demora ainda mais quando é antecipada? E eu contando os minutos. E não estava só nesta lida, não era nem minoria.
Comprei ovo de chocolate, que agora sou moça dedicada e romântica. Depois, fui resolver o problema do celular pra me tornar, de-fi-ni-ti-va-men-te uma mulher adulta e responsável (e isso inclui não ter que ouvir ninguém me dizendo o que devo/não devo fazer. Em caso de dúvida, sou a primeira a perguntar e pedir conselho, lo juro). Mas, nada feito porque existem milhares de regras e uma burocracia fenomenal. E, nesse meio tempo, o ovo de Páscoa Alpino em papel doirado e vermelho, derreteu no carro. Que alegria! O jeito foi passar ali do lado da casa dela e comprar chocolates dos bonitos e torcer pra ele gostar. Gostou. Eu também.
Aí, foi esperar até 11:20. E esperar não é pra mim. Fui feita pr´essas coisas não. Não mermo, ó. Vai logo me dando uma angústia e daí é um passo pros pensamentos começam a se transformar em uns monstros muito, muito feios e malvados… Sim, tenham medo. Porque eu tenho. Pânico, quase. Mas, vai passar, vai passar, vai passar (E quase não passou. Quase)…
Foi assim.
Abril 3, 2007
Todo um caos no sistema aéreo brasileiro e eu indo e vindo serelepe com a mochila de viagem. Nada de atraso, nada de fila, nada de aeroporto lotado. É preciso ter sorte em algum momento nessa vida, afinal.
Não teve o tal descanso prometido, mas isso é mais um agradecimento que uma reclamação, veja bem.
Passeio com parada em todas as livrarias e a pessoa tem que se controlar (muito) pra não comprar os 2 livros, que agora são 5. Isso porque tento ser politicamente correta quando ele tá perto, porque o pensamento recorrente é de que mereço esse mimo. Porque eu mereço mermo, ó. Assim, como mereço ganhar mais pra deixar de viver tão sem dinheiros.
Almoço no shops que ia ser supermercado, que lá se chama mercantil. É, as pessoas dizem: “vamo no mercantil comprar isso”, “vamo no mercantil comprar aquilo” e demorei pra descobrir que mercantil era, na verdade, o substantivo masculino utilizado para definir grande estabelecimento comercial em que o comprador retira as mercadorias das prateleiras ou estantes, efetuando o pagamento das despesas na saída. É sempre um aprendizado, sempre.
Aí, a gente assistiu 300 de Esparta e é bom pra carái. Sim, eu gosto de filmes de ação e fico com as mãos geladas e nem presto atenção na gritaria adolescente, nem no vizinho pedindo pra pararem de chutar a poltrona. Vontade de ver de novo e de novo até gastar a empolgação, porque é uma empolgação medonha… Desde o trailler, depois com o livro e segue firme e forte. Teve também Scoop, mas aí já é outra coisa com pipoca e gargalhada.
Vez ou outra, aquela agoniazinha aparecia. Assim, do nada. Um mal-estar indefinido e constante. Em parte, porque agora sou moça-de-família-de-volta-à-casa-da-mãe e achei que esses dias iam ser diferentes. Mas não foi, não é. Apesar das diferenças, toda uma semelhança. E uma vontade crescente de resolver a minha vida e voltar a ter um lugar assim só meu feitinho pra mim. Claro que vai ter a rede amarela e a melhor companhia. Quer dizer… É o que eu quero, mas nunca se sabe (nessa hora, ele reclama e me diz pra parar com isso e sinto alívio assim bem grande no coração).
Também podia considerar a TPM, o cansaço filho da puta de outra semana corrida e o fato de ter passado mais uma tarde lá em casa, junto a um verdadeiro arsenal de lembranças. Né fácil não, minha gente. Fico imaginando se ele pensa que é por causa dele… Porque nem é. Vem lá de dentro, de uma vida inteira e por mais que eu tentasse explicar, aqui ou lá, nem ia adiantar.
E continua…
Mas, agora não, que vou ali fazer mudança que é um processo sem fim. Putaqueopariu.
Eu podia contar da despedida.
Março 22, 2007
De como foi acordar cedo e ter ainda milhares de coisinhas pra resolver. Ir no salão cortar o cabelo, porque trabalho novo tem dessas coisas, com direito a sessão de fotos, pilhas que acabam e eu correndo pra comprar mais. Podia contar do meu pai agoniado lá em casa, da família toda reunida e do cuidado que eles têm comigo. De como gosto de Hector, de como é estranho Aeroporto em dia de dizer tchau. Podia contar do coração apertado, da espera em frente à sala de embarque, da quase falta de ar que isso dá. Mas, carái, é difícil demais e já foi, já passou. É dessas coisas que a gente guarda pra gente, sabe? Mas, a verdade é que doeu. Doeu que só.
Bom foi ouvir a voz dele feliz, contando que chegou e que tava re-conhecendo o Ridjanêro e pensar que vai dar tudo certo porque sempre dá tudo certo. Acho que é mesmo como ele diz: a vida é mágica.