Eu disse a ele que ia ficar boazinha.
Abril 23, 2007
Mas, é sempre difícil voltar pra casa. Principalmente, quando é semana-não e vou passar mais de 10 dias distante. Gosto não. Gosto nada. Parece tudo muito fora do lugar e, pra completar, chove. Queria era estar com ele e dormir até mais tarde. Queria estar com ele e qualquer coisa. Moro numa cidade fria.
Vou ali.
Abril 21, 2007
E não sei como vou fazer pra interagir com montes de gentes, estando eu tão afundada na bolha…
Façam suas preces.
Passatempo da viagem.
Abril 21, 2007
GPS de alegria.
Abril 21, 2007
Eu não sei como é por aí, mas aqui a chefia tem um detector de alegria. Porque só pode. Basta a pessoa se distrair e descobrir alguma coisa bacana pra fazer que o telefone toca e acaba a brincadeira. E é uma tecnologia tão, mas tão avançada que pode ser utilizada mesmo a longa distância. Eu merma fico incrível…
Tenho um cabelo escovado e uma franja no lugar. A moça cabeleireira me mostrando toda a sua habilidade:
- Faço assim, ó! Pego o cabelo desse jeito e não queima…
E um calor do carái! Vocês não têm noção. Só que eu podia dizer alguma coisa em meio a toda aquela empolgação?
- Minha filha, queima sim, viu? Queima que é uma be-le-za. Acho melhor, você voltar pra escola de escovadoras de cabelo porque desse jeito não dá não.
Aí, fiquei lá, quietinha, ouvindo ela se vangloriar da própria técnica e pensando comé que pode, hein? Será que ela acredita, realmente, nisso? Né possível não. E num lampejo de sabedoria, conclui que ela sabe que queima siiiiiiim e fica nesse telelei, que é pras pessoas ficarem sem graça de reclamar, feito eu. Estratégia boua essa.
Fru fru.
Abril 20, 2007
Aí, você vê, eu queria um franjão faz é tempo. Ontem, tomei coragem (não muita, que não carece tanta coragem assim pra cortar cabelo) e fui lá naquele salão que eu gosto. Pronto. Agora, tenho um franjão fora do lugar, que meu cabelo não é comportado. E não sei como lidar com ele, pra que lado colocar, o tanto adequado de fios. Sascoisa. Uma adaptação. Uma vida nova, bem dizer. Tenho até um espelho aqui do meu lado esquerdo, que é só pra ficar olhando e vendo como é que tá a situação… Talvez vá fazer escova na hora do almoço e me torne uma pessoa dependente de aparelhos. Eu, logo eu. Marrapaiz, mesmo que tivesse ficado terrivelmente feio, ia ter valido a pena só pela massagem que a moça dá na cabeça enquanto tá lavando as madeixas. O que é essa técnica, minha gente? O que é aquela água morninha, todos aqueles cremes cheirosos e as mãos dela tchun tchun thun no cucuruto. Pensando em passar lá toda semana. E isso é muito sério. Será que custa muitos dinheiros? Tomara que não, porque pode ser um vício. E é bom que seja um vício baratinho, que ninguém aqui é rica, né?
Outras alternativas
Abril 19, 2007
Também posso ser uma moça supersexy com a minha própria capa de chuva transparente:

Para tal, seria mais magra, mais loira, usaria meu tubinho preto com uma sandalinha alta combinando e teria meu próprio pet:
Além de meu próprio meio de transporte:
Tudo isso, conquistado graças ao meu próprio negócio:
Nhé.
Abril 19, 2007
Tô achando que – contrariando toda uma filosofia de vida – vou comprar uma sombrinha. Começa a chover nessa cidade e começa a chover pra valer. E eu ando a pé. E eu ando de ônibus. E eu não gosto de ficar embaixo das marquises esperando estiar, porque peloamor. Um trauma de anos, vai ter que ser resolvido assim, na porrada, que é o jeito vezenquando. E mais e mais e mais saudade daquele apartamento que ficava logo ali. Logo ali, ó.
Ele me pergunta se eu tô bem, e eu vou dizer o quê, né? Porque, afinal, é uma complicação dessas reais e concretas do lado de lá e eu caraminholando aqui de dentro da bolha. Alguém entende? Alguém?
Vou ali trabalhar, que tenho que fazer textos rimadinhos nesse exato momento. É tudo que eu queria nessa vida. Ô se é.
Hm.
Abril 19, 2007
Aí, a pessoa rói as unhas todas pensando naquela menina tão pequenininha, fazendo uma cirurgia tão grande. Ô… Criança devia ter que passar por isso não. Eu acho.
Porque é assim e é sem jeito.
Abril 18, 2007
Eu queria sair cedo e desisti de esperar minha carona. Aí, fui pegar ônibus – que agora sou moça que pega ônibus – e, no exato momento em que cheguei na parada, vruuuuuuuum, foi simbora. Eu fiquei e chorei. É, chorei. De uma tristeza tão profunda que não cabia no motivo em questão. Porque nem era o motivo de verdade verdadeira. Porque o que parece nunca é. Tá, contigo, eu não sei. Mas, comigo é assim. Não, não vamos falar sobre isso que são anos de análise e sou pessoa sem dinheiro, fé e paciência para tal. Enfim… Chorei disfarçada porque se alguém visse e viesse me perguntar alguma coisa, era capaz d´eu abraçar a pessoa pra sempre, aos prantos. Não ia ser bom. Não ia. Posso visualizar e temer. Uma dor bem grande aqui dentro. E era saudade. Saudade de voltar pra casa a pé, de cumprimentar os moços porteiros, de ficar feliz quando tinha correspondência (desconsiderar contas a pagar), de apertar o 6 no elevador, de olhar pro apartamento do vizinho torcendo pra senhorinha que mora lá ter melhorado, de me assustar com os gatos no corredor, de acender todas as luzes, de ligar a televisão e o computador ao mesmo tempo, de ficar à toa, dos meus livros, das minhas músicas, das janelas grandes, dos espaços claros e ventilados. Saudade de cada coisinha, sacomé? Mesmo das bem pequenas, mesmo das que já tinha esquecido. Uma angústia sem fim. Vontade de que antes fosse agora e consciência da impossibilidade disso acontecer. Juro que tentei me distrair com coisas práticas e amenidades, mas nem. Foi preciso uma noite inteira de sono e mesmo assim…
É que.
Abril 11, 2007
Hoje, eu tô com tanta tanta tanta saudade. Vontade de estar lá, sabe? Seja lá onde for, desde que seja com ele. Porque é tão bom e por mais que eu fale e escreva e tente definir de um jeito que se possa compreender, não dá. Porque é mais e vai além. Nem cabe em mim e isso é uma alegria medonha. Uma sorte na vida. Dessas que a gente não espera, nem imagina, acontece e pronto.
Eu ia contar do feriado. Eu ia.
