Eu podia contar da despedida.
Março 22, 2007
De como foi acordar cedo e ter ainda milhares de coisinhas pra resolver. Ir no salão cortar o cabelo, porque trabalho novo tem dessas coisas, com direito a sessão de fotos, pilhas que acabam e eu correndo pra comprar mais. Podia contar do meu pai agoniado lá em casa, da família toda reunida e do cuidado que eles têm comigo. De como gosto de Hector, de como é estranho Aeroporto em dia de dizer tchau. Podia contar do coração apertado, da espera em frente à sala de embarque, da quase falta de ar que isso dá. Mas, carái, é difícil demais e já foi, já passou. É dessas coisas que a gente guarda pra gente, sabe? Mas, a verdade é que doeu. Doeu que só.
Bom foi ouvir a voz dele feliz, contando que chegou e que tava re-conhecendo o Ridjanêro e pensar que vai dar tudo certo porque sempre dá tudo certo. Acho que é mesmo como ele diz: a vida é mágica.
Da mudança – parte 02
Março 19, 2007
Domingo, acordei com o rapaz da mudança. Aí, foi um tal de levar as coisas pro corredor, colocar no elevador, descer, arrumar na Kombi (sim, foi uma Kombi) e levar lá na casa da moça. 12:30, ela trouxe almoço, que a gente comeu assim como deu. Porque tava tudo espalhado pelo chão, sem móveis. Estranho que só. Que só mermo, ó. E eu olhava aquele monte de coisa e ia me dando uma agonia, sem fim. Aí, fui me deitar já com dor de cabeça. Ela deu uma geral em tudo com uma rapidez lindíssima e ainda arrumou a mala dele. Não consegui dormir, que era muito pensamento. Muito, muito mesmo. Todos eles juntosdeumavez. E se tarde de domingo já me deixa melancólica, essa foi das mais difíceis. Tentei me distrair, mas não teve jeito. E chorava e ele me consolava e ficava bem e chorava e. Porque é pra ser feliz, sabe? Porque é motivo de alegria. Porque quero (e preciso) ser forte. E eu sei. De tudo isso aí. Mas, mesmo assim é foda (E entra aqui um suspiro). Muito foda. Blé. Teve lanche com suco de laranja total de delícia e dor de cabeça filhadaputa, com farmácia entregando remedinho 1h da manhã. E não passou até agora. Passará. Ajudaria comer alguma coisa, mas quem tem fome? Quem? Eu merma não.
Da mudança – parte 01
Março 19, 2007
Os trabalhos começaram sábado. Às 10h da manhã. Antes disso, era eu andando pra lá e pra cá num mini-apartamento e caraminholando. Só que isso vai agoniando a pessoa e criando um bolo bem no meio do peito. Angústia, sacomé? Aí, resolvi que era melhor me mexer pra espantar os pensamentos indesejados. Saí na chuva atrás de fita adesiva. Paguei o preço por ter deixado pra última hora. Voltei pra casa chorando, montei três caixas chorando e tava sentada no chão, chorando, quando ele chegou com café e sanduíche de queijo da padaria. Pedi pra olhar se as minhas caixas iam agüentar, porque sou pessoa sem habilidade manual. Ok. Vamo em frente. Logo depois, ela chegou com mais fitas, mais caixas, sacos de lixo gigantes, jornal e comida (porque sabe que a gente sempre esquece de comer e dormir, em meio a agonia). Livros nas caixas. Muitos livros. O homem desmontador veio na hora do almoço, saber o que tinha pra fazer. Blábláblá, bliblibli, ficou de voltar às 2:30. Aí, foi tchau estantezinhas, tchau cama, tchau guarda-roupa, tchau armarinho. Terminada essa parte, ninguém agüentava mais nada. Cama, que era o sofá, até à noite. Shops pra jantar e cinema pra relaxar. O Bom pastor. Gostei, mas tava cansada e o corpo doía todo. Vixe. Não tinha Dorflex certo. Cheguei e dormi na mesma hora. Ele passou a noite separando roupas, coisas e papéis. A noite to-da. Ai, ai.
Bum!
Março 17, 2007
Aí, segunda-feira, em meio a correria do dia, ele me liga e diz que tá indo pra Brasília. No fim de semana. Trabalhar. E tá muito feliz e vai ser muito bacana e é um lugar cheio de oportunidades e. Eu ouvindo e pensando: que massa! Eu desligando e pensando: carái! Cadê o chão que tava aqui, hein? Uma vida toda mudando de uma hora pra outra e eu tentando me acostumar com a idéia, antes de ter que me acostumar com o fato. E chorei tanto. E doeu tanto. Mesmo sabendo que é a melhor coisa que podia ter acontecido. Mesmo sabendo que é uma oportunidade dessas que só aparecem uma vez. E pensei que não ia agüentar, mesmo sabendo que eu vou agüentar, porque é assim, né? A gente pára, respira e vai. E eu preciso ficar aqui e ser forte e cuidar assim de longe, prestando atenção nos passos todos e torcendo pra ele não tropeçar, sem a minha mão pra segurar. E ele precisa ficar lá e ser forte e cuidar assim de longe, prestando atenção nos passos todos e torcendo pra que eu aprenda a voar, sem as asas dele pra ajudar.
Das mudanças.
Março 9, 2007
Aí, me dou conta de que não tô com ele porque preciso e sim porque quero. E quero muito. E isso muda tudo. E é bom que só. Deve ser dessas coisas de gentes grandes, né? Vai saber.
Só pra constar.
Março 9, 2007
Ciúme é um bichinho da família dos roedores que com os seus dentinhos afiados faz um buraquinho bem no mei do peito. Ain.
Diarices.
Março 9, 2007
E porque hoje é o Dia Internacional do recebimento de flores, ganhei 3. Uma papoula amarela, uma não-sei-o-nome vermelha e uma gérbera laranja. E isso porque só fui de casa pro trabalho e do trabalho pra casa. Devia era ter passeado por aí logo de manhã. Sim, porque as flores todas são distribuídas pela manhã. Prestenção! Eu merma já escrevi cartinhas pros clientes da agência lembrando: Dia 08 de março, telelei, telelei, telelei. Mas, não deu tempo. Acordei atrasada. Na verdade, quase nem dormi. Meu quarto se transformou num depósito de poeira e tive que vir pro sofá pra parar de espirrar. Isso lá pelas 3h. Já que também tinha (tem) toda uma agitação pré-viagem. Inda bem que ganhei café da manhã da padaria e deu pra aliviar o mau-humor matinal. Por pouco tempo, claro. Notícias dessas tristes pra começar o dia, mas vamo em frente. Lerê, lerê danado, almoço mulherzinha (e agora tenho unhas quadradas) e mais um tanto de trabalho escravo até às 5h, que era hora de Dra. Patricia. Tan-ran. Adoro. Vocês não têm noção. E ir pro dentista com afta e tpm, as duas coisas assim juntasdeumavez, é uma delícia! Só que ela atrasou e tá impossível pra mim ficar muito tempo num lugar só sem fazer nada. Fui mimbora. E a cidade tá um caos. Passeata contra Bush e toda uma agitação nas ruas. Polícia de Choque, cavalaria, mocinhos coordenadores de trânsito… Uhu! Agora, se aquietou, tudo, menos eu.
Contando as horas.
Março 8, 2007
E quando o tempo sobra, sobram também as caraminholas. Semana toda de correria medonho e agora, sossego. Sossego do lado de fora e uma agonia só aqui dentro. Porque amanhã é dia de viajar e dia de viajar, vocês sabem. É como se fosse sempre a primeira vez e toda uma taquicardia e mão gelada e um quase-enjôo. Acreditem.
Das descobertas.
Março 7, 2007
E todos os dias ele me dá de presente um coletivo de vaga-lumes. Existe coletivo pra vaga-lumes? Deve existir, porque é isso que ele me dá. Aí, sempre que acordo e cada vez que vou dormir, prendo a respiração por 5 segundos pra ver se eles ainda estão lá. Acendendo e fazendo cócegas aqui dentro, bem no coração. Nessa hora, sorrio sorriso bobo, porque não tem como pensar num coletivo de vaga-lumes sem sorrir assim. Tem jeito não, tenho 13 anos e ando na ponta dos pés que é pra não acordar desse sonho.
Taquepariu, viu?
Março 6, 2007
E a TPM impera. Im-pe-ra. Primeiro, a fome não passa e o sono não chega. Depois, não tenho vontade de comer nada e fico dormindo na frente do computador. Hormônios todos enlouquecidos. Um desespero. Fora a implicância e o mal-humor que já fazem parte do repertório, ampliados e rumo ao infinito. Uhuuuuuuuuuuuu!